Braz Melo*
“Nessa longa estrada da vida
Vou correndo e não posso parar
Na esperança de ser campeão
Alcançando o primeiro lugar”
Música de Milionário e Zé Rico
Ninguém luta para ser o segundo. Todos brigam para ser o primeiro.
No caso de Dourados, o segundo município em população do Estado, tem sofrido muito por este posto.
Lembro que quando da divisão do antigo Mato Grosso éramos bem tratados pela capital, Cuiabá. Penso que porque Campo Grande era o segundo. E só mais tarde entendemos o que é ser o segundo.
Naquela época, Dourados tinha pouco mais de 100 mil habitantes e Campo Grande mais de 250.000.
Hoje, Campo Grande tem quase 1 milhão e Dourados 250 mil habitantes.
Mostro neste artigo porque Dourados perdeu o pique que tinha antes da divisão do Estado.
Além de ser a capital do Estado, onde fica toda estrutura governamental, chama para lá as decisões maiores que são tomadas. Durante anos recebeu infraestrutura necessária para o bom funcionamento de uma cidade.
Imagina Campo Grande ficar uma semana sem aeroporto? Seria o caos. Nós ficamos quatro anos sem ele. Quando precisávamos de viajar, tínhamos de ir para Ponta Porã ou para a capital de MS.
Dourados era o polo, atendendo na área de serviços todo o sul de nosso Estado. Quando uma pessoa de Bela Vista precisasse ser atendida por um especialista, ela vinha para cá. Hoje, vai direto para Campo Grande.
Vou dar o exemplo na área de logística, de como fomos prejudicados.
Quando o último governador de Mato Grosso uno, Garcia Neto, soube da divisão do Estado e veio fazer o lançamento do asfaltamento da rodovia que liga Dourados a Nova Casa Verde, passando por dentro da Colônia Federal, Ivinhema e Nova Andradina, rodovia importante para o comércio de Dourados, mandou iniciar a obra por Nova Casa Verde, fazendo que Nova Andradina, que já usava o horário de São Paulo, deixasse de usar os serviços de Dourados e fosse ser atendido em Presidente Prudente (SP) ou Campo Grande.
Feita a divisão, foi nomeado o primeiro governador do novo Estado, Harry Amorim Costa, que não teve tempo de executar obras. Preparou administrativamente o estado.
Logo depois, em 1979, em consenso político, foi nomeado governador do Estado, o então prefeito de Campo Grande, Marcelo Miranda Soares. Ficou pouco tempo no cargo.
Em 1980 foi nomeado o senador Pedro Pedrossian para administrar nosso Estado. Pedro asfaltou de Mundo Novo a Ponta Porã, o Guaira Porã, iniciando as obras a partir de Mundo Novo. Iguatemi e toda a população fronteiriça que usavam os serviços dos douradenses, começaram a frequentar o oeste do Paraná.
Wilson Barbosa Martins foi eleito o primeiro governador do Mato Grosso do Sul em 1982. Executou diversas obras, entre outras, asfaltou de Maracaju e Sidrolândia para Campo Grande. Obra importante para aquela região, só que mais uma vez subtraindo o movimento de Dourados. Os clientes de nossos médicos e profissionais liberais foram trocados pelos da capital.
Marcelo Miranda é eleito governador em 1986 e executou diversas obras, dentre estas, asfaltou Naviraí a Ivinhema. As pessoas que sempre usavam Dourados como polo de serviços, começaram a ter outro caminho desviando de Dourados.
Em 1990, é eleito novamente Pedro Pedrossian para governar o Estado. Ninguém pode negar a importância do que ele trabalhou pelo Estado, mas não tendo mais o que rodear nossa cidade, asfaltou Itaporã a Douradina. Os irmãos de Itaporã não precisam passar por Dourados pra ir para Campo Grande.
Toda essa logística é importante para o Estado, porém prejudicou muito o desenvolvimento de nossa cidade, já que desviando de Dourados diminuiu bastante nossa receita.
E Dourados, que chegou a receber em 1991 mais de 11% do ICMS (Imposto de Circulação de Mercadoria e Serviços) hoje recebe pouco mais de 6%. Quase a metade dessa importante receita.
Imagina se as rodovias tivessem sido direcionadas para Dourados? Não teríamos perdido tanto recurso, como aconteceu.
Mas este exemplo é só na área de logística. Depois conto mais.
- É engenheiro civil e foi prefeito de Dourados por dois mandatos
















