Comunicação PCi-MS
Nem sempre a violência deixa marcas visíveis. Em muitos casos, é a perícia que revela o que não aparece no primeiro relato. Vestígios no corpo, no ambiente ou em dispositivos, como mensagens e imagens, ajudam a transformar a ocorrência em prova e a esclarecer a dinâmica dos fatos — inclusive em situações inicialmente tratadas como suicídio ou morte a esclarecer.

Em Mato Grosso do Sul, esse trabalho é realizado pela Polícia Científica, que atua desde o local do crime até exames médico-legais e análises laboratoriais, com atendimento nos 79 municípios.
Em casos de feminicídio, agressões e violência sexual, a atuação começa na cena, com a coleta de elementos que seguem para análise. Nos exames de corpo de delito, lesões e vestígios são registrados; já nos casos de morte violenta, exames necroscópicos ajudam a determinar causas e circunstâncias.
Parte desse atendimento é integrada à rede de proteção à mulher. Em Campo Grande, a unidade do IMOL na Casa da Mulher Brasileira permite que o exame seja feito no mesmo local de acolhimento, evitando deslocamentos. O número de atendimentos cresceu nos últimos anos, acompanhando a consolidação desse modelo.
Em Dourados, o Projeto Acalento, em parceria com a UFGD, também reúne atendimento de saúde e exames periciais no mesmo fluxo. A integração reduz barreiras, preserva vestígios e melhora o cuidado às vítimas.
Entre as iniciativas, estão as salas lilás, voltadas ao atendimento reservado e humanizado. A estrutura já funciona em Amambai e está em implantação em Bataguassu.
A ação inclui ainda a capacitação de servidores para atendimento especializado. “Nosso trabalho envolve técnica, sensibilidade e integração com a rede de proteção, garantindo qualidade na prova e reduzindo a revitimização”, afirma o coordenador-geral de Perícias, Nelson Fermino Junior.
















