Impactos da redução de jornada viram disputa entre economistas
Lucas Pordeus León – Agência Brasil
A proposta de reduzir a jornada de trabalho no Brasil, com o fim da escala 6×1, tem gerado debate sobre seus impactos econômicos. Enquanto entidades empresariais preveem queda do PIB e aumento da inflação, estudos da Unicamp e do Ipea indicam efeitos mais limitados, com possível geração de empregos e até crescimento econômico.
A economista Marilane Teixeira afirma que as divergências decorrem de diferentes premissas e visões. Já confederações como CNI e CNC projetam aumento de custos, com impacto nos preços e na competitividade das empresas.
Por outro lado, o Ipea estima que o custo adicional do trabalho ficaria abaixo de 10% nos setores mais afetados, com impacto reduzido no custo total das empresas. O instituto também avalia que o efeito sobre a inflação tende a ser limitado.
Outro ponto de divergência é a produtividade. Para o setor empresarial, é improvável que ela compense a redução da jornada. Já pesquisadores apontam que jornadas menores podem até melhorar o desempenho dos trabalhadores.
Experiências anteriores, como a redução da jornada na Constituição de 1988, não indicaram efeitos negativos no emprego, embora haja ressalvas sobre as diferenças do cenário econômico atual.
No geral, os estudos mostram que os impactos da medida dependem das premissas adotadas, refletindo não apenas análises técnicas, mas também visões econômicas e sociais distintas.
















