A partir das 7 horas desta terça-feira, nova empresa assume gestão dos serviços de saúde na UPA e no Hospital da Vida
Exatos 44 médicos plantonistas que atuam no Hospital da Vida e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Dourados protocolaram, nesta segunda-feira (4), no CRM/MS (Conselho Regional de Medicina) uma representação ético-disciplinar coletiva. O motivo: a troca na gestão dos serviços de saúde em Dourados, que há semanas tem gerado apreensão entre os profissionais.
A mudança está prevista para às 7 horas desta terça-feira (5), quando a empresa responsável pelos atendimentos desde 2021, a Equipe Gestão em Saúde, dará lugar à Equipe Group, vencedora da licitação realizada pela Fundação de Saúde de Dourados (Funsaud).
No documento protocolado, a que O Progresso teve acesso, os profissionais relatam que a principal preocupação está relacionada à redução nos investimentos destinados à prestação dos serviços. Afirmam que a nova empresa “impôs uma redução de honorários na ordem de aproximadamente 39%, aviltando a remuneração praticada há quase uma década”.
Essa redução, segundo o documento, levou à recusa de 95% do corpo clínico a aderir ao novo contrato, “configurando um movimento legítimo de defesa da dignidade e das condições de trabalho da categoria médica”.
Na representação protocolada no CRM, os 44 profissionais afirmam que a “conduta da empresa e dos médicos que a ela se associam para substituir o corpo clínico atual configura um conjunto de graves infrações éticas”.
Os médicos que devem deixar o atendimento a partir das 7 horas desta terça-feira pedem ao CRM a instauração imediata de uma sindicância para apurar as infrações éticas eventualmente praticadas pela empresa vencedora da licitação e, “individualmente, cada médico que aceitou o novo contrato para suceder o corpo clínico atual”.
O CASO
Desde o início de abril, um grupo formado por cerca de 15 médicos passou a se manifestar via redes sociais para alertar sobre os possíveis impactos da mudança com a contratação de nova empresa. Eles temem que a redução nos valores provoque alta rotatividade nas equipes, alteração nos vínculos profissionais e, consequentemente, prejuízos diretos à qualidade do atendimento de urgência e emergência.
Eles vêm alegando que a substituição de equipes experientes por médicos recém-formados pode comprometer a assistência prestada à população.
Os profissionais também destacam que a mudança ocorre em um momento considerado sensível para a saúde pública local, com o aumento de casos de chikungunya e a proximidade do período de maior incidência de doenças respiratórias, comum entre os meses de abril e maio.
Outro ponto levantado diz respeito ao risco de descontinuidade no atendimento. “No dia 5 de maio, às 7h, uma equipe nova assume, sem conhecer o hospital ou a UPA, e será responsável por toda a demanda”, relatou um médico do grupo, em entrevista a O Progresso.
Agora, esse dia chegou.















