
Ricardo Ojeda, do Perfil News
O avanço da produção de papel ondulado no Brasil tem relação direta com a força da indústria de celulose, que sustenta a cadeia produtiva e contribui para posicionar o país como o sexto maior produtor mundial desse tipo de embalagem. Utilizado amplamente no transporte, armazenamento e proteção de mercadorias, o papelão ondulado acompanha de perto o ritmo da economia e do consumo.
Conforme dados recentes da Empapel (Associação Brasileira de Embalagens em Papel), em 2024, fatores como o baixo nível de desemprego, o aumento da massa salarial e a ampliação de programas de transferência de renda ajudaram a aquecer o consumo no país. Esse cenário elevou a demanda por produtos do dia a dia, como alimentos, hortifruti, cosméticos e itens de perfumaria, todos dependentes de embalagens para logística e distribuição.
Com maior poder de compra, os consumidores impulsionaram a necessidade de caixas e acessórios de papelão ondulado, refletindo diretamente nos números do setor. O resultado foi um crescimento expressivo na expedição desses materiais ao longo do ano.
Recordes na produção
O setor registrou, em 2024, um volume de expedição de 4.247.991 toneladas de papelão ondulado, o que representa um crescimento de 5,0 por cento em relação a 2023. O desempenho positivo renovou recordes históricos e colocou o Brasil em destaque no cenário internacional.
Entre os dez maiores produtores globais, o país foi o que apresentou maior avanço no período, superando economias como China, Itália e Índia. Esse desempenho consolidou a posição brasileira na sexta colocação mundial.
Apesar dos resultados robustos, o cenário começou a mudar no fim de 2024. Houve redução no volume expedido, indicando perda de fôlego e a perspectiva de um período menos aquecido para o setor.
Cadeia produtiva
A base desse crescimento está na indústria de celulose, responsável por fornecer a matéria-prima essencial para a produção de papel. No Brasil, 100 por cento da fibra virgem utilizada vem de árvores cultivadas especificamente para fins industriais, o que garante previsibilidade e sustentabilidade ao processo produtivo.
Esse modelo fortalece a competitividade do país, reduz a pressão sobre florestas nativas e contribui para a imagem ambiental do setor.
Impacto ambiental
A indústria de papel ondulado movimenta cerca de 30 bilhões de reais em receita anual, desconsiderando o Imposto sobre Produtos Industrializados, além de gerar 7,1 bilhões de reais em tributos. Trata-se de um segmento relevante tanto para a economia quanto para a arrecadação pública.
Do ponto de vista ambiental, o setor também apresenta indicadores significativos. Aproximadamente 45 por cento da massa de uma embalagem é composta por carbono estocado, o que contribui para a mitigação de emissões. Além disso, o índice médio de recuperação de papel no Brasil é de 59,1 por cento, o equivalente a 4,6 milhões de toneladas reaproveitadas anualmente.

Desempenho regional
Na região Centro-Oeste, que inclui Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a expedição de papelão ondulado alcançou 298.366 toneladas em 2024. O volume representa uma participação de 9,81 por cento no total nacional, evidenciando a importância crescente da região na cadeia produtiva.
MS ganha força
Dados da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação mostram que a celulose se tornou um dos principais motores da economia de Mato Grosso do Sul. O setor florestal, base da produção de papel e celulose, já responde por cerca de 7% do PIB estadual, com receita próxima de R$ 10 bilhões, sendo mais da metade desse valor gerada diretamente pela produção de celulose.
Mais recentemente, a participação da cadeia avançou ainda mais. O segmento de papel e celulose já representa cerca de 10,7% do PIB do Estado e movimenta aproximadamente R$ 15,7 bilhões, consolidando-se como uma das principais atividades econômicas locais.
No comércio exterior, a relevância é ainda mais evidente. A celulose lidera a pauta exportadora sul-mato-grossense, respondendo por 29,34% de tudo o que o Estado exporta e somando cerca de 5,8 milhões de toneladas embarcadas em 2025.
O impacto também se reflete no emprego e nos investimentos. A cadeia florestal gera mais de 27 mil empregos diretos e indiretos no Estado, com perspectiva de expansão diante de novos projetos industriais bilionários. Além disso, o setor já atraiu dezenas de bilhões de reais em investimentos e pode gerar até 100 mil novos postos de trabalho nos próximos anos, impulsionado pela instalação de novas fábricas.
A base produtiva segue em expansão. Mato Grosso do Sul possui cerca de 1,5 milhão de hectares de florestas plantadas, principalmente de eucalipto, matéria-prima essencial para a indústria de celulose. Esse avanço consolidou o Estado como um dos principais polos do setor no país e fortalece sua participação no crescimento econômico nacional.














