Comunicação Semadesc
A maior área úmida contínua do planeta e um dos biomas mais preservados do mundo, o Pantanal sul-mato-grossense é ponto de parada para descanso e alimentação de 190 espécies de aves migratórias. Muitas delas percorrem rotas que ligam o Hemisfério Norte — especialmente Canadá e Estados Unidos — até a Patagônia, no extremo sul do continente.
Por sua importância para essas rotas migratórias, Mato Grosso do Sul foi escolhido para sediar a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias da ONU (COP15). O evento ocorre de 23 a 29 de março, em Campo Grande, e deve reunir entre 2 mil e 3 mil especialistas de cerca de 100 países.
A Blue Zone (Zona Azul) ficará no Expo Bosque, no Shopping Bosque dos Ipês, além de eventos paralelos em outros pontos da cidade. A conferência é organizada pela ONU, com apoio do Governo do Estado, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
Além das aves, o Pantanal abriga espécies migratórias de peixes, como pintado (Pseudoplatystoma corruscans) e dourado (Salminus brasiliensis), que realizam a piracema para reprodução. O bioma também concentra uma das maiores populações de onça-pintada (Panthera onca) do mundo.
A COP15 discute medidas para proteger espécies migratórias ameaçadas ou que dependem de cooperação internacional. Atualmente, 133 países são signatários do tratado de proteção dessas espécies.
Estudos da Embrapa Pantanal indicam que aves aquáticas representam cerca de 18% das espécies registradas em Mato Grosso do Sul, concentradas principalmente no Pantanal e na planície de inundação do alto rio Paraná. Pelo menos 27 espécies, sobretudo maçaricos, utilizam o Estado como parada durante longas jornadas entre América do Sul e Hemisfério Norte.

Segundo o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, a preservação de habitats conectados no Pantanal é essencial para a sobrevivência dessas espécies. A conservação das áreas úmidas, do Cerrado e da Mata Atlântica contribui para manter rotas migratórias seguras para aves, mamíferos e peixes.
Com cerca de 150 mil km², o Pantanal oferece áreas de descanso e alimentação durante as migrações. Essa riqueza ambiental é protegida pela Lei do Pantanal (Lei Estadual 6.160/2023), que estabelece regras para preservação de salinas, vegetação nativa e áreas inundáveis, além de manter corredores ecológicos fundamentais para a fauna.
Entre as espécies beneficiadas está a onça-pintada, cuja conservação depende da conectividade entre habitats em diferentes países. Por isso, desde a COP14, o felino foi incluído entre as espécies migratórias ameaçadas, fortalecendo a cooperação internacional para sua proteção.
















