Shirley Cruz de ‘A Melhor Mãe do Mundo’e Joel Pizzini comandam oficinas de atuação e roteiro no Festival da Juventude
Entre palavras, câmeras e personagens, o Festival da Juventude 2026 também será um território de formação artística. A segunda edição do evento, que acontece entre os dias 26 e 28 de março na Cidade Universitária da UFMS, em Campo Grande, reúne oficinas conduzidas por nomes importantes do audiovisual brasileiro, como a atriz Shirley Cruz e o cineasta sul-mato-grossense Joel Pizzini.
Com trajetórias consolidadas no cinema e na televisão, ambos chegam ao festival para compartilhar experiências acumuladas em décadas de trabalho e pesquisa sobre a linguagem audiovisual.
Para Febraro de Oliveira, produtor e curador do festival, as oficinas são parte fundamental da proposta do evento. “As oficinas transformam o festival de palco em laboratório. Enquanto os shows e apresentações oferecem inspiração e visibilidade, as oficinas oferecem processo e aprofundamento. Elas deslocam o jovem da posição de espectador para a de criador”.
As inscrições são gratuitas e abertas a todo o público interessado através do site https://festjuv.com.br/2026/.
A experiência de quem vive o cinema
A atriz Shirley Cruz conduz a oficina “Em Cena, a Ação”, dedicada à interpretação para cinema e televisão. Com mais de 25 anos de carreira, ela iniciou sua trajetória no cinema com o filme “Cidade de Deus”, obra que marcou o audiovisual brasileiro e abriu caminho para uma série de trabalhos em produções nacionais e internacionais.
Ao longo da carreira, Shirley participou de mais de 40 produções entre filmes e séries, com destaque para “Filhos do Carnaval”, da HBO, a novela “Bom Sucesso”, da TV Globo, e mais recentemente a série “Cidade de Deus: A Luta Não Para”, além de protagonizar os filmes “O Clube das Mulheres de Negócios” e “A Melhor Mãe do Mundo”, dirigidos por Anna Muylaert, exibidos e premiados em festivais como Gramado e Berlim.
Na oficina, a atriz compartilha a experiência acumulada em sets de filmagem, testes e processos de criação.
“A vivência potencializa o meu conhecimento. Em vinte e cinco anos de carreira passando por projetos importantíssimos, eu já tive centenas de oportunidades de experimentar aquilo que eu ensino. Eu não suponho, eu vivi e isso faz toda diferença na mentoria”, comenta.
Shirley também destaca a importância de compreender o cinema como uma construção coletiva. “É muito importante o ator ter um entendimento mínimo sobre alguns departamentos e um conhecimento maior em outros, para que o seu trabalho seja realizado com toda potência. O ator é o resultado final de tudo que foi planejado e trabalhado antes de chegar ao set de filmagem”.
Mais do que ensinar técnicas de interpretação, a atriz afirma que busca provocar confiança e perspectiva entre os participantes.
“Mais do que inspirar, o que já é fantástico – porque sonhar é fundamental – é aproximar esses jovens dos seus sonhos para que materializem. E se eu for pensar no recorte de gênero e raça, é muito importante que eles vejam que é possível chegar onde quisermos. Minha carreira não é uma história contada, ela é uma realidade”, ressalta.
O roteiro como rota criativa
Outro destaque da programação formativa é a oficina de roteiro cinematográfico conduzida pelo cineasta sul-mato-grossense Joel Pizzini, um dos nomes mais reconhecidos do cinema ensaístico brasileiro.
Autor de filmes premiados como “Caramujo-Flor”, inspirado na obra do poeta Manoel de Barros, “Enigma de um Dia”, “Glauces” e “500 Almas”, Pizzini construiu uma trajetória marcada pela experimentação estética e pelo diálogo entre cinema, literatura e artes visuais. Seus trabalhos foram exibidos em festivais internacionais como Veneza, Brasília e Mar del Plata.
Na oficina, o diretor propõe discutir o roteiro como ponto de partida para a criação cinematográfica.
“O roteiro é uma rota, um manual de sobrevivência na selva criativa. Ele oferece pistas, caminhos, mas não pode ser uma obra fechada. Precisa ser aberto, lacunar, para que o filme se transforme durante o processo”, aponta.
Para ele, escrever cinema exige diálogo constante com outras linguagens artísticas. “O cinema é conhecido como a arte das artes. Ele dialoga com a pintura, com o teatro, com a literatura. O autor precisa se impregnar dessas referências para encontrar a sua própria voz”.
Pizzini também destaca que o grande desafio da criação está no equilíbrio entre forma e conteúdo. “A simplicidade é sempre um ponto de chegada, nunca de partida. Para alcançá-la é preciso rigor, pesquisa e um olhar atento para dentro e para fora do mundo”.
Outras oficinas ampliam programação formativa
Além das oficinas de atuação e roteiro, o Festival da Juventude reúne uma programação formativa que atravessa diferentes linguagens artísticas e tecnológicas.
Entre as atividades está a Oficina de Escrita Criativa, ministrada pela escritora e jornalista Monique Malcher, vencedora do Prêmio Jabuti de Literatura, que propõe o uso da pesquisa etnográfica e da observação do cotidiano como ferramentas para a criação literária.
A programação inclui ainda a Oficina de Capacitação de Mediadores de Leitura, com o historiador e criador do projeto @latinaleitura Vinicius Barbosa, dedicada à formação de leitores e à comunicação literária nas redes sociais.
Na área de tecnologia, a Oficina de Criação e Desenvolvimento de Aplicativo para Celular, conduzida por Giovanna Andrade e Maria Yasmim, apresenta conceitos iniciais de programação e permite que os participantes desenvolvam seus próprios aplicativos.
Já a oficina SLAM: Vozes da Juventude, ministrada pela multiartista Alessandra Coelho, propõe um mergulho na poesia falada e nas batalhas de slam como forma de expressão artística e protagonismo juvenil. Alessandra foi campeã da categoria conto na primeira edição do Festival da Juventude e hoje integra a programação formativa do evento.
“A proposta da oficina é pensar a pluralidade da poesia marginal contemporânea e o quanto a literatura possibilita posicionar nossos corpos e vozes no mundo. A poesia falada como uma ferramenta crítica ao sistema é um mecanismo de contra-ataque de vozes que antes eram silenciadas ou oprimidas”, explica.
Segundo ela, o slam se tornou uma linguagem potente justamente por nascer das periferias e dos espaços de resistência cultural. “Acredito que, justamente por ser um movimento cultural de rua e periférico, o slam nasce da necessidade de escuta de vozes que no cotidiano normativo não costumam ser ouvidas. Essa noção de pertencimento e acolhimento é a base que faz tanta gente se identificar com a poesia de rua”.
A artista também destaca o papel coletivo das rodas de slam na formação de novos poetas. “O slam promove rodas onde o público é treinado para estar de coração e ouvidos abertos. É um espaço seguro para ser escutado, para se autoafirmar e para reconhecer a si mesmo enqu anto faz, ouve e sente literatura”.
Com vagas limitadas e certificação, as oficinas reforçam a proposta do festival de estimular não apenas o consumo cultural, mas também a produção artística entre jovens. As inscrições podem ser feitas pelo site https://festjuv.com.br/2026/. Mais informações podem ser obtidas pelo Instagram do festival (@festivaldajuventudems).
Festival reúne literatura, música e cinema
Além da programação formativa, o Festival da Juventude 2026 contará com shows, espetáculos, debates e concursos culturais.
Entre os destaques estão a presença de Ney Matogrosso, em uma palestra-show no Teatro Glauce Rocha conduzida por jovens participantes do festival, e o cantor Chico Chico, que apresenta o espetáculo “Let It Burn – Deixa Arder”.
O evento também promove concursos literários, batalha de rima e o desafio audiovisual “1 minuto de cinema inspirado na literatura”, consolidando o festival como um dos principais encontros culturais voltados à juventude sul-mato-grossense.
O Festival da Juventude é uma realização do Instituto Curumins em parceria com a UFMS e com o Ministério da Cultura, que efetiva convênio por meio de emenda destacada pelo deputado federal Vander Loubet, além do apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura Lei Rouanet, Fundo Nacional de Cultura e Governo do Brasil. Tem o apoio da Secretaria de Estado da Cidadania, Subsecretaria da Juventude, Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, Secretaria de Estado da Educação, Fundação de Cultura, Educativa MS, Governo de MS, deputada federal Camila Jara e Águas Guariroba.
















