Criação do Ceari fortalece articulação entre poder público, entidades e sociedade civil diante da crise sanitária na reserva
Rogério Vidmantas
A Câmara Municipal de Dourados oficializou nesta sexta-feira (20), por meio da publicação no Diário Oficial do Município, a criação do Comitê Emergencial da Reserva Indígena de Dourados (Ceari). A medida representa um passo decisivo no enfrentamento da crise sanitária instalada nas aldeias, em decorrência do avanço de um surto de chikungunya.
A instituição do grupo de trabalho consolida, de forma institucional, uma mobilização que já vinha sendo construída nos bastidores e posiciona o Poder Legislativo como articulador de múltiplas frentes de apoio humanitário, em um dos momentos mais delicados vividos pelas comunidades indígenas da região.
As primeiras ações do comitê já foram iniciadas nesta sexta-feira, com a entrega de donativos como água, frutas e repelentes às famílias impactadas e às equipes de saúde que atuam no atendimento à população indígena.
Ao formalizar o Ceari, a Câmara não apenas reconhece a gravidade da situação, como também estabelece um modelo organizado de atuação, respeitando os limites constitucionais entre os poderes e reforçando seu papel de mobilização social.
A iniciativa é liderada pela presidente da Casa, Liandra da Saúde (PSDB), que tem conduzido a articulação entre vereadores, entidades de classe e sociedade civil organizada.
“A criação do Ceari é uma resposta imediata e responsável diante de uma situação que exige união e sensibilidade. A Câmara está cumprindo seu papel de mobilizar, articular e contribuir para que a ajuda chegue com rapidez a quem mais precisa. Estamos falando de vidas, e cada ação faz diferença neste momento”, destacou a presidente.
Liderado pela Câmara de Dourados, o Ceari já conta com a participação de instituições como Rotary Club, OAB, ACED, empresas, entidades de classe e representantes da sociedade civil, com o objetivo de construir uma resposta rápida e integrada diante do cenário sanitário.

Articulação como estratégia
Mais do que uma ação emergencial, o comitê nasce com uma função estratégica: integrar esforços dispersos e dar escala à ajuda humanitária. A proposta é ampliar o alcance das ações e garantir maior efetividade no atendimento às comunidades indígenas.
O Ceari reforça que a participação da população é fundamental neste momento, contribuindo diretamente para minimizar os impactos da epidemia.
Emergência
Também nesta sexta-feira (20), o prefeito Marçal Filho decretou situação de emergência em saúde pública no município de Dourados, em razão do aumento dos casos de chikungunya, tanto na área urbana quanto na Reserva Indígena.
Conforme dados do Informe Epidemiológico Diário da Sesai, até o dia 19 de março foram registradas 936 notificações, 846 casos prováveis e 274 casos confirmados da doença. O levantamento aponta ainda 90 atendimentos hospitalares, três internações e quatro óbitos confirmados, inclusive em grupos vulneráveis. As regiões com maior concentração de atendimentos são Jaguapiru II, Bororó I, Bororó II e Jaguapiru I.
Campanha de arrecadação
O comitê iniciou uma campanha emergencial para arrecadação de itens essenciais, com foco em:
* Água
* Isotônicos
* Repelentes
* Alimentos de consumo rápido (frutas, bolachas, entre outros)
Entre as atribuições do CEARI estão:
* Mobilizar a sociedade para arrecadação de donativos
* Organizar pontos oficiais de coleta
* Articular parcerias com instituições públicas e privadas
* Encaminhar os donativos para distribuição por órgãos competentes
Um dos pontos centrais do comitê é justamente a capacidade de envolver diferentes setores, fortalecendo uma rede colaborativa de apoio.
Pontos de arrecadação
* Câmara Municipal de Dourados
* Subseção da OAB Dourados/Itaporã
* Corpo de Bombeiros
* ACED
* Escola Pedro Palhano
* Escola Tengatui
A iniciativa também abre espaço para a participação ativa de entidades, empresas e voluntários, criando uma verdadeira rede de solidariedade em prol das comunidades indígenas afetadas.
Com informações da Assessoria/CMD
















