Iniciativa envolve a participação de mais oito hospitais da Rede Ebserh e busca fortalecer o tratamento da doença no SUS
Comunicação Social/Ebserh
O Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), participa de uma pesquisa multicêntrica que busca aprimorar o diagnóstico da aspergilose e investigar a resistência de fungos do gênero Aspergillus spp. a medicamentos antifúngicos. Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, o estudo será desenvolvido simultaneamente em outros oito hospitais da Rede Ebserh.
O projeto, intitulado “Identificação e monitoramento de isolados clínicos e ambientais de Aspergillus spp. resistentes aos antifúngicos”, integra uma iniciativa nacional coordenada pelo professor James Venturini, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). No HU-UFGD, o núcleo local da pesquisa é coordenado pela farmacêutica Luana Rossato, professora da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), reconhecida recentemente com o prêmio “Para Mulheres na Ciência”.
De acordo com James Venturini, o projeto busca fortalecer o diagnóstico e o tratamento da aspergilose no ambiente hospitalar. “Esse projeto tem como finalidade auxiliar o diagnóstico de uma doença fúngica chamada aspergilose, que afeta principalmente pacientes em condição de imunossupressão, pacientes que tiveram tuberculose ou que estão em unidades de terapia intensiva”, explica.
Segundo o pesquisador, um dos focos da pesquisa é verificar se os fungos responsáveis pela doença apresentam resistência aos medicamentos utilizados no tratamento. “Um dos objetivos do estudo é verificar se esses fungos apresentam resistência aos antifúngicos, que são as drogas utilizadas para combater essa infecção”, afirma.
Ele destaca que a resistência aos antifúngicos, especialmente em Aspergillus fumigatus, é um fator de risco para desfechos desfavoráveis no tratamento. “As taxas de mortalidade aumentam significativamente e podem chegar a 88% quando o agente apresenta resistência verificada em laboratório”, ressalta.
A professora Luana Rossato explica que a colaboração entre as instituições surgiu a partir da experiência da UFGD na área de micologia médica, que estuda os fungos associados a doenças humanas. Segundo ela, a equipe atuará diretamente na implementação das atividades da pesquisa no hospital.
“Nossa contribuição será dar todo o suporte para instituir essa pesquisa aqui dentro do HU-UFGD, realizando testes de detecção de resistência desses fungos”, destaca.
Além da investigação sobre o Aspergillus, o grupo também pretende desenvolver estudos paralelos sobre outros micro-organismos presentes no ambiente hospitalar. “Em paralelo, vamos desenvolver outras pesquisas com leveduras, identificando micro-organismos presentes em superfícies, na água e no ar do ambiente hospitalar”, esclarece Rossato.
Avanços para o SUS
A professora destaca que a pesquisa tem potencial de gerar resultados com impacto direto na assistência. “Vamos identificar quais micro-organismos estão presentes no ambiente hospitalar, verificar se são resistentes ou não e, posteriormente, até investigar a ocorrência de determinados surtos”, conta.
A investigação também pode trazer benefícios diretos aos pacientes atendidos, especialmente aqueles com histórico de tuberculose. “A aspergilose pulmonar crônica pode acometer cerca de 30% dos pacientes com tuberculose. Como o hospital é referência nesse perfil de pacientes, possibilitar esse diagnóstico é fundamental”, ressalta.
Compreender melhor a ocorrência da doença na região contribui para tratamentos mais adequados. “Ter acesso a esse diagnóstico permite entender melhor a realidade da doença nessa população de pacientes e viabilizar o tratamento mais adequado”, afirma.
Além da assistência, o estudo também fortalece a formação acadêmica. Estudantes da graduação em Medicina e da pós-graduação participam das atividades, atuando na coleta de amostras e nas análises laboratoriais.
“Temos vários alunos envolvidos, tanto da graduação quanto da pós-graduação, participando da coleta de material, da detecção de resistência e também de ações de disseminação do conhecimento sobre infecções fúngicas”, conclui.
Pesquisa multicêntrica
A iniciativa envolve uma equipe multidisciplinar com cerca de 50 pesquisadores, além de profissionais da área da saúde e estudantes. O projeto conta com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio de edital voltado para pesquisas sobre resistência antimicrobiana.
O estudo será desenvolvido em ambulatórios, enfermarias e unidades de terapia intensiva de hospitais universitários vinculados à Rede Ebserh em diferentes regiões do país, integrando assistência, ensino e pesquisa no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
Conheça os hospitais participantes: Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG); Hospital Universitário Antônio Pedro da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF); Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF); Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB); Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM-UFSM); Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg); Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS) e Hospital Universitário Professor Alberto Antunes da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-UFAL).
Doença
A aspergilose é uma infecção oportunista causada por fungos do gênero Aspergillus, presentes no ambiente, especialmente em matéria orgânica em decomposição. A doença ocorre principalmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido, após a inalação de esporos, tendo o pulmão como principal órgão afetado. A espécie Aspergillus fumigatus é responsável pela maioria dos casos. Não há transmissão entre pessoas ou de animais para humanos, mas a exposição ao fungo pode ocorrer em ambientes com poeira, solo contaminado ou até mesmo em espaços hospitalares com ventilação inadequada.
Os sintomas mais comuns incluem tosse persistente, dificuldade para respirar, dor no peito, febre e perda de peso, podendo variar conforme a condição clínica do paciente. O diagnóstico é feito com base em avaliação clínica e exames laboratoriais. O tratamento envolve o uso de antifúngicos e acompanhamento médico especializado. Como medida preventiva, recomenda-se evitar ambientes com alta concentração de poeira e adotar cuidados com a higiene, além de manter o controle rigoroso da qualidade do ar em ambientes hospitalares, especialmente para proteger pacientes mais vulneráveis.
Sobre a Ebserh
O HU-UFGD faz parte da Rede Ebserh desde setembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Elenita Araújo e Ronie Cruz















