Braz Melo*
Semana passada discorri sobre as dificuldades de ser a segunda cidade de um Estado, como é Dourados em relação a Mato Grosso do Sul.
E iniciei escrevendo sobre logística, que muitas vezes resolve para uns, mas é prejudicial para outros.
É o caso de Dourados, que foi muito prejudicada. E isso, depois de feito, é difícil de consertar.
Em 1994, fui eleito vice-governador do Dr. Wilson Barbosa Martins. E apesar de Dourados ter dado a maior vitória à nossa chapa, recebemos muito pouco para representar nossa região. Ficamos com uma secretaria adjunta da Educação, para a qual indicamos a professora Doraci de Moraes e como adjunto da secretaria estadual de Administração, o Alaor Azambuja.
Quando senti que o quadro de secretários já estava bem definido, resolvi pleitear o trabalho do Mercosul, um assunto novo e que ficava distante do Parque dos Poderes. Já tinha assistido de camarote quando foi a Vice com o Dr. George e sentia que este cargo deveria ficar distante do centro político do Governo.
Ser o segundo é muito difícil. Principalmente pra mim, que tinha saído da Prefeitura de Dourados dois anos atrás com índices elevados de aprovação. E que Dourados esperava muito mais de seu representante.
Aproveitei da assessoria do meu amigo Walter Guaritá, que conhecia bem o Paraguai e era amigo do Presidente Wasmosi, a quem convidamos para vir assistir a nossa posse no dia 1 de janeiro. Foi o único presidente de outro país a participar de uma solenidade como aquela dentre todas as posses do Brasil.
Na primeira semana do governo já fizemos uma comitiva para Assunção, onde fomos muito bem recebidos e acertamos algumas ideias para compartilharmos como vizinhos.
Dentre outras, a participação do Porto de Concepcion como porto livre para Mato Grosso do Sul. Era uma maneira de diminuir o custo do transporte de grãos de nossa região e desenvolver aquela região guarani. A ideia foi lançada, mas, outra vez, foi deixada de lado.
Nossa região perdeu muito. Principalmente Ponta Porã. Como representante do Governo no Mercosul, tivemos outros alcances, como a discussão do gasoduto vindo da Bolívia e o embrião da Rota Bioceânica. Foi importante nesse projeto, além do presidente Wasmosi, o então prefeito de Iquique, Jorge Quiroga.
Anos mais tarde, quando voltei à prefeitura para o segundo mandato, Dourados e Iquique se tornaram” Cidades Irmãs”.
Hoje em dia mudaram aquela rota, pois interesses políticos deixaram de aproveitar a ponte existente em Concepcion, atravessando o rio Paraguai e a rota toda asfaltada até Mariscal Estigarribia.
Mudaram de Campo Grande, Dourados e Ponta Porã, para Campo Grande, Maracaju, Porto Murtinho. Estão construindo uma ponte com quase mil metros, fazendo 220 km de asfalto no Chaco Paraguai, chegando em Mariscal Estigarribia.
Foi bom para o Paraguai, pois irá desenvolver aquela região inóspita guarani. Mas lembro que tem um ditado antigo que diz: “Todos os caminhos levam a Roma”.
Nossa região é muito mais forte do que imaginam. Os grãos colhidos em nossa região, com certeza irão pelo projeto inicial. E hoje, no trecho entrando na Argentina, ainda falta boa vontade dos governantes daquele país para entender e facilitar a passagem, principalmente entre Pozo Hondo e Salta.
Mas, voltando à nossa participação na administração: em abril de 1995, Dr. Wilson me chamou para uma conversa e me informou que iria viajar para o exterior e que eu assumiria o Governo do Estado por algumas semanas. E eu, já desiludido com o tratamento recebido pelos assessores do Governo, perguntei aonde eu iria receber as pessoas, pois passados quase quatro meses da gestão ainda não tinha sequer uma sala para ocupar. Naquele dia falei para ele, que sempre me tratou muito bem, mas que me sentia um peixe fora d’água e que voltaria para Dourados, onde eu era muito bem recebido.
No outro dia arrumaram uma sala para o vice-governador.
Respondi pelo Governo do Estado por três semanas e comecei a entender o que era ser o segundo: é como ser vice.
*É engenheiro civil, foi prefeito de Dourados por 2 mandatos e vice-governador
















