
Pedro Rafael Vilela, da Agência Brasil
Em carta destinada “ao povo dos Estados Unidos da América” e “aqueles que continuam a buscar a verdade”, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que povo do país persa não nutre inimizade contra outras nações, incluindo o povo da América, da Europa ou de países vizinhos.

O longo texto, em inglês, foi publicado na quarta-feira (1º), em uma postagem na rede social X. O líder iraniano citou ter sofrido repetidas intervenções estrangeiras ao longo da história e disse buscar combater o que chamou de “enxurrada de distorções e narrativas fabricadas”.
“Os iranianos sempre traçaram uma distinção clara entre governos e os povos que eles governam. Este é um princípio profundamente enraizado na cultura iraniana e na consciência coletiva — não uma posição política passageira”, diz Pezeshkian.
Bases militares dos EUA
O texto destaca que que Irã é uma das civilizações contínuas mais antigas da história humana e que, apesar das vantagens históricas e geográficas, o país “nunca escolheu o caminho da agressão, da expansão, do colonialismo ou da dominação”.
“Dentro desse mesmo quadro, os Estados Unidos concentraram o maior número de suas forças, bases e capacidades militares ao redor do Irã — um país que, ao menos desde a fundação dos Estados Unidos, nunca iniciou uma guerra. Agressões americanas recentes lançadas a partir dessas mesmas bases demonstraram o quão ameaçadora essa presença militar realmente é. Naturalmente, nenhum país submetido a tais condições deixaria de fortalecer suas capacidades defensivas”, enfatizou
“O que o Irã fez — e continua a fazer — é uma resposta comedida, fundamentada na legítima autodefesa, e de forma alguma uma iniciativa de guerra ou agressão”, prossegue o presidente iraniano.
Mais adiante, no texto, Masoud Pezeshkian pondera que as relações entre o Irã e os EUA nem sempre foram hostis, mas que acabaram se deteriorando quando os norte-americanos articularam um golpe de Estado para derrubar o então primeiro-ministro democraticamente eleito, Mohammad Mossadegh, no que ficou conhecida como Operação Ajax, com apoio do Reino Unido.
O golpe ocorreu depois do governo iraniano da época decidir nacionalizar os recursos petrolíferos do país.
“Esse golpe desestruturou o processo democrático iraniano, restaurou uma ditadura e semeou uma profunda desconfiança entre os iranianos em relação às políticas dos EUA. Essa desconfiança se aprofundou ainda mais com o apoio americano ao regime do xá, o respaldo a Saddam Hussein durante a guerra imposta dos anos 1980, a imposição das mais longas e abrangentes sanções da história moderna e, por fim, agressões militares não provocadas — duas vezes, inclusive em meio a negociações — contra o Irã”, continua a carta do presidente persa.















