
Longa-metragem conta a jornada de quatro personagens e as pessoas que elas encontram cortando os estados de MS e MT
Rogério Vidmantas
O cenário audiovisual de Mato Grosso do Sul recebe neste mês o lançamento do longa-metragem Natasha, um projeto que une resistência artística a uma narrativa potente sobre a comunidade LGBTQIAPN+, com foco na vivência trans e na cultura drag no coração do Brasil. O filme terá sessões exclusivas para convidados nesta quarta-feira (8), no Museu da Imagem e do Som (MIS), em Campo Grande, e no próximo dia 16 de abril, no Cine Auditório da UFGD, em Dourados.
A obra carrega uma trajetória singular: deriva de uma série de 13 episódios gravada originalmente em Dourados, em 2017, que agora ganha as telas em formato de longa-metragem, reafirmando a força de uma narrativa que atravessa o tempo. O filme tem aproximadamente duas horas e conta essa jornada das personagens e as pessoas que elas encontram pelo caminho, de MS ao MT.
Com direção de Thiago Rotta e Rafael Rotta, o material passou por um processo de resgate e transformação iniciado em janeiro deste ano. A adaptação da série para o formato de longa ficou a cargo de Ana Ostapenko e Kojiro, responsáveis pela direção de edição e montagem, conduzindo a obra para uma estrutura cinematográfica contemporânea.
Para a produtora executiva e diretora Ana Ostapenko, o lançamento marca o encerramento de um longo ciclo. “Ver ‘Natasha’ finalmente ganhar o mundo é uma emoção indescritível! Esse processo de montagem ao lado do Kojiro com roteirização de Antoni Magalhães foi um mergulho intenso; conseguimos extrair uma sensibilidade nova do material de 2017. O filme é vibrante e celebra a vida e a coragem de ser quem se é. Estamos com as melhores expectativas para levar essa história para os festivais de cinema, pois é uma narrativa de amor e resistência que possui um apelo universal e potente”, afirma a diretora com entusiasmo.

O trabalho de pós-produção partiu de uma base estética já consolidada desde a captação original, como destaca Kojiro. “Trabalhar na edição desde janeiro exigiu um cuidado técnico preciso e um olhar atento à transposição de linguagem. O material original já apresentava uma identidade estética consistente, resultado de uma direção e de um trabalho de fotografia e cor muito bem definidos desde a captação em 2017. Nosso processo partiu desse fundamento, preservando essa base visual e conduzindo sua adaptação para o formato de longa-metragem. A partir disso, realizamos ajustes pontuais de cor e design de som pensados para as exigências de exibição contemporânea, ampliando a imersão e a experiência narrativa sem alterar sua essência”, disse o diretor.
Para Thiago Rotta, diretor da obra, o lançamento representa a sobrevivência de um sonho coletivo. “Nós esperamos esse momento desde 2018. Foi um período longo e desafiador, marcado não só pelos movimentos do país, mas também pela ausência de distribuição da obra, que adiou o encontro do projeto com o público. Ver Natasha ganhar nova vida agora, como longa-metragem, é reconhecer a resistência desse projeto e de tudo que ele carrega. Gravamos essa história em 2017, e vê-la hoje com um novo olhar reforça como temas como identidade, afeto e a luta LGBTQIAPN+ seguem urgentes e necessários. Natasha é um sobrevivente, assim como suas personagens. Também é significativo ver uma produção do interior de Mato Grosso do Sul ocupar esse espaço. O audiovisual não se limita a Campo Grande, e esse lançamento reafirma a potência criativa presente em todo o estado”.
Segundo Rotta, a série com 13 episódios será disponibilizada, ampliando o alcance da obra que, como longa-metragem, seguirá para festivais. “Estamos muito animados com esse novo momento. Divido essa realização com meu irmão, Rafael Rotta, que assina a direção comigo, e também com Ana Ostapenko, que abraçou a proposta de transformar a série em longa e foi fundamental para que esse projeto encontrasse esse novo caminho. É um orgulho ver esse trabalho chegar às telas e ocupar esse espaço”, completa.
Sinopse
Após o assassinato de Natasha, suas amigas Nicole, Inês e Leona transformam o luto em movimento. Decidem atravessar Mato Grosso do Sul até o Mato Grosso para realizar o sonho que ela não pôde viver: participar do concurso de drag queens Raio de Sol do Pantanal.
Com poucos recursos e uma Kombi emprestada, o que começa como homenagem se transforma em uma travessia profunda. No caminho, enfrentam preconceito, invisibilidade e desafios constantes, enquanto são levadas a confrontar suas próprias histórias, medos e identidades.















