Troca de empresa e redução de até 30% nos investimentos acendem alerta sobre impactos no atendimento
Rogério Vidmantas
A iminente troca na gestão dos serviços de saúde em Dourados tem gerado apreensão entre médicos plantonistas que atuam no Hospital da Vida e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A mudança está prevista para o início de maio, quando a empresa responsável pelos atendimentos desde 2021, a Equipe Gestão em Saúde, dará lugar à Equipe Group, vencedora da mais recente licitação realizada pela Fundação de Saúde de Dourados (Funsaud).
De acordo com profissionais que atuam nas unidades, a principal preocupação está relacionada à redução de aproximadamente 30% nos investimentos destinados à prestação dos serviços. Essa queda deve ser repassada aos valores pagos aos médicos para plantões nas duas unidades de saúde, caindo de pouco mais de R$ 1 mil para menos de R$ 600.
Um grupo formado por cerca de 15 médicos passou a se manifestar nas redes sociais para alertar sobre os possíveis impactos da mudança. Eles temem que a redução nos valores provoque alta rotatividade nas equipes, alteração nos vínculos profissionais e, consequentemente, prejuízos diretos à qualidade do atendimento de urgência e emergência.
Nesta segunda (13), diversos pontos da cidade amanheceram com faixas chamando a atenção da população para o assunto. Muitas delas já haviam sido retiradas por funcionários da Prefeitura de Dourados no meio da manhã.

Equipe Inexperiente
O Progresso Digital ouviu dois desses profissionais, que preferiram não se identificar, temendo eventuais retaliações. Segundo eles, a substituição de equipes experientes por médicos recém-formados pode comprometer a assistência prestada à população. “É muito diferente de se ter uma equipe já consolidada, que recebe novos médicos de forma gradual e com orientação dos mais experientes”, afirmou um dos entrevistados.
Atualmente, cerca de 60 médicos atuam nas unidades, mas, conforme os relatos, apenas um profissional teria aceitado até o momento as condições propostas pela nova empresa. Com isso, a equipe que deverá assumir os atendimentos tende a ser composta majoritariamente por médicos em início de carreira, muitos vindos de outros estados.
Os profissionais também destacam que a mudança ocorre em um momento considerado sensível para a saúde pública local, com o aumento de casos de chikungunya e a proximidade do período de maior incidência de doenças respiratórias, comum entre os meses de abril e maio.
Outro ponto levantado é o risco de descontinuidade no atendimento. “No dia 5 de maio, às 7h, uma equipe nova assume, sem conhecer o hospital ou a UPA, e será responsável por toda a demanda”, relatou um dos médicos.
Diante do cenário, o grupo busca apoio da população e de representantes políticos para chamar atenção às possíveis consequências da medida. Eles alertam que, em situações mais graves, a falta de experiência aliada à redução do quadro médico pode impactar negativamente o atendimento prestado à população.
Outro lado
Até a finalização deste texto, a Secretaria Municipal de Saúde e a Funsaud não se manifestaram sobre as preocupações levantadas pelos profissionais.
















