Mercado de petróleo enfrenta incertezas
Agrolink – Seane Lennon
O mercado global de petróleo deve seguir operando sob volatilidade nos próximos meses, diante das incertezas envolvendo o bloqueio do Estreito de Hormuz e a ausência de uma solução diplomática entre Estados Unidos e Irã. As projeções constam da 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, divulgada na terça-feira (14).
Segundo a StoneX, o bloqueio do Estreito de Hormuz provocou a maior disrupção recente na oferta global, interrompendo o fluxo de cerca de 12 milhões de barris por dia, o equivalente a aproximadamente 12% da produção mundial. Como reflexo, o contrato mais ativo do petróleo Brent passou a sustentar preços acima de US$ 100 por barril.
De acordo com Bruno Cordeiro, mesmo com medidas emergenciais, o cenário segue restritivo. “Mesmo considerando rotas alternativas e a liberação de reservas estratégicas, o mercado continuará convivendo com um déficit relevante nos próximos meses”, avalia. “A atual capacidade logística não é suficiente para substituir o papel do Estreito de Hormuz, o que mantém uma parcela importante da oferta global fora do mercado.”
A empresa aponta que rotas como o Canal de Suez e o Estreito de Bab el-Mandeb seguem operantes, mas não conseguem absorver integralmente o volume interrompido. Até a terceira semana de março, cerca de 5 milhões de barris por dia estavam sendo redirecionados por alternativas logísticas, principalmente via oleodutos da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos até o Mar Vermelho, além de cerca de 1,2 milhão de barris que ainda atravessavam o estreito.
A liberação de 426 milhões de barris das reservas estratégicas anunciada pela Agência Internacional de Energia deve amenizar parte do impacto no curto prazo. Ainda assim, segundo a StoneX, mesmo com a adição próxima de 3 milhões de barris por dia, o mercado pode seguir com até 9 milhões de barris diários indisponíveis, o equivalente a cerca de 8% da oferta global.
Para Bruno Cordeiro, o desequilíbrio tende a pressionar estoques e preços. “Esse desequilíbrio tende a se traduzir em uma redução mais acelerada dos estoques comerciais ao longo dos próximos trimestres, principalmente se o bloqueio do estreito se prolongar”, afirma. “É esse fator que sustenta a expectativa de preços estruturalmente mais elevados no curto e médio prazo”.
A Ásia deve ser a região mais impactada pelas restrições de oferta. Em 2025, cerca de 12,9 milhões de barris por dia atravessaram o Estreito de Hormuz com destino aos mercados asiáticos, com destaque para China e Índia, que concentram parte relevante das importações e da capacidade global de refino.
No curto prazo, a decisão da China de restringir exportações de derivados adiciona pressão ao mercado regional, enquanto países como o Japão devem buscar fornecedores alternativos, incluindo os Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, apesar de um cenário mais confortável de produção, o avanço das exportações tende a limitar o crescimento dos estoques. O aumento da demanda externa levou os embarques norte-americanos a operarem próximos da capacidade máxima, reforçando o papel do país como fornecedor relevante no cenário atual.
Outro fator destacado pela StoneX é o reposicionamento do petróleo da Rússia no mercado internacional. A maior procura por barris sancionados, especialmente na Ásia, tem sustentado os fluxos, embora ataques a portos estratégicos no fim de março tenham reduzido temporariamente a capacidade de exportação.
“As projeções da StoneX indicam que, mesmo com um cessar-fogo temporário, a falta de uma resolução definitiva entre EUA e Irã mantém um viés altista para os preços do petróleo”, conclui Bruno Cordeiro. “Um acordo duradouro e a reabertura plena do Estreito de Hormuz poderiam reverter esse movimento, levando a uma trajetória de queda mais acelerada nos preços. Até que isso ocorra, a volatilidade seguirá elevada e os riscos de oferta continuarão no centro das atenções do mercado”, finaliza, Cordeiro.
















