Início Cultura “Natasha” tem sessão exclusiva para convidados em Dourados nesta quinta-feira

“Natasha” tem sessão exclusiva para convidados em Dourados nesta quinta-feira

Equipe técnica e atores na sessão que aconteceu em Campo Grande na última semana (Foto: Assessoria)

Longa-metragem conta a jornada de quatro personagens e as pessoas que elas encontram cortando os estados de MS e MT

Rogério Vidmantas

O cenário audiovisual de Mato Grosso do Sul recebe neste mês o lançamento do longa-metragem Natasha, um projeto que une resistência artística a uma narrativa potente sobre a comunidade LGBTQIAPN+, com foco na vivência trans e na cultura drag no coração do Brasil. O filme estreou na última quarta-feira (8), no Museu da Imagem e do Som (MIS), em Campo Grande, e agora chegou a vez de Dourados, com sessão para convidados nesta quinta (16), no Cine Auditório da UFGD, em Dourados. 

A obra carrega uma trajetória singular: deriva de uma série de 13 episódios gravada originalmente em Dourados, em 2017, que agora ganha as telas em formato de longa-metragem, reafirmando a força de uma narrativa que atravessa o tempo. O filme tem aproximadamente duas horas e conta essa jornada das personagens e as pessoas que elas encontram pelo caminho, que corta os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Com direção de Thiago Rotta e Rafael Rotta, o projeto “Natasha” passou por um processo de resgate e transformação iniciado em janeiro deste ano. A adaptação da série para o formato de longa-metragem foi conduzida por Ana Ostapenko e Kojiro, responsáveis pela edição e montagem, que reestruturaram a obra dentro de uma linguagem cinematográfica contemporânea, preservando sua essência original.

Segundo Ana Ostapenko, o lançamento marca o encerramento de um longo ciclo de produção iniciado a partir de imagens captadas em 2017. Ela destaca que o trabalho de montagem, desenvolvido em parceria com Kojiro e com roteirização de Antoni Magalhães, buscou extrair novas camadas de sensibilidade da obra, resultando em um filme que aborda temas como identidade, amor e resistência.

“O filme é vibrante e celebra a vida e a coragem de ser quem se é. Estamos com as melhores expectativas para levar essa história para os festivais de cinema, pois é uma narrativa de amor e resistência que possui um apelo universal e potente”, afirma a produtora com entusiasmo.

Ana Paula Ostapenko é produtora-executiva da obra e fez adaptação da série para longa-metragem (Foto: Divulgação)

O diretor Kojiro destaca o trabalho de pós-produção, que partiu de uma base estética já consolidada desde a captação original. “O material original já apresentava uma identidade estética consistente, resultado de uma direção e de um trabalho de fotografia e cor muito bem definidos desde a captação em 2017. Nosso processo partiu desse fundamento, preservando essa base visual e conduzindo sua adaptação para o formato de longa-metragem, com ajustes pontuais de cor e design de som pensados para as exigências de exibição contemporânea”, explica.

Segundo o diretor Thiago Rotta, o lançamento simboliza a concretização de um projeto coletivo que enfrentou desafios ao longo dos anos, especialmente pela ausência de distribuição. Ele ressalta que a obra, gravada no interior de Mato Grosso do Sul, reforça a relevância de produções fora dos grandes centros e evidencia a permanência de debates sobre identidade, afeto e a luta LGBTQIAPN+. Além da versão em longa-metragem, a série original, composta por 13 episódios, também deve ser lançada em breve, ampliando o alcance da narrativa.

“Divido essa realização com meu irmão, Rafael Rotta, que assina a direção comigo, e também com Ana Ostapenko, que abraçou a proposta de transformar a série em longa e foi fundamental para que esse projeto encontrasse esse novo caminho. É um orgulho ver esse trabalho chegar às telas e ocupar esse espaço”, completa.

Sinopse 

Após o assassinato de Natasha, suas amigas Nicole, Inês e Leona transformam o luto em movimento. Decidem atravessar Mato Grosso do Sul até o Mato Grosso para realizar o sonho que ela não pôde viver: participar do concurso de drag queens Raio de Sol do Pantanal.

Com poucos recursos e uma Kombi emprestada, o que começa como homenagem se transforma em uma travessia profunda. No caminho, enfrentam preconceito, invisibilidade e desafios constantes, enquanto são levadas a confrontar suas próprias histórias, medos e identidades.