
“Natacha” nasceu de série gravada na cidade e chega ao festival sul-americano com uma narrativa sobre amizade, diversidade e pertencimento
Rogério Vidmantas
O longa-metragem Natasha, obra que nasceu em Dourados e carrega a identidade cultural da região sul de Mato Grosso do Sul, foi selecionado para a Mostra Competitiva do Filme Sul-Mato-Grossense da 4ª edição do Bonito Cinesur – Festival de Cinema Sul-Americano. Considerado um dos principais eventos dedicados ao audiovisual do continente, o festival será realizado entre os dias 24 de julho e 1º de agosto, em Bonito.
A seleção coloca novamente Dourados em destaque no cenário audiovisual estadual. A obra tem origem na série homônima gravada na cidade em 2017, envolvendo profissionais, artistas e técnicos da região. Quase uma década depois, o material ganha uma nova vida nas telas de cinema, agora em formato de longa-metragem, reafirmando a capacidade da produção cultural douradense de criar obras que atravessam o tempo e alcançam novos públicos.
Baseado no roteiro de Antoni Magalhães, reconhecido pela construção de personagens complexos e pela sensibilidade na abordagem de temas ligados à diversidade, identidade e direitos humanos, Natasha nasceu como uma série de 13 episódios dirigida por Thiago Rotta e Rafael Rotta. A adaptação para o cinema foi conduzida pela jornalista, produtora cultural e diretora douradense Ana Ostapenko, em parceria com Kojiro na direção de edição e montagem.
Ao transformar uma história de amizade, resistência e busca por pertencimento em uma road movie carregada de emoção, o roteiro constrói uma narrativa que dialoga com temas universais sem perder suas raízes regionais. A obra percorre paisagens de Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso enquanto acompanha personagens marcantes em uma jornada de descoberta e superação.

Para Ana Ostapenko, ver uma produção nascida em Dourados alcançar um dos maiores festivais de cinema da América do Sul tem um significado especial. “Receber a notícia da seleção de Natasha para o Bonito Cinesur é emocionante. Além de ser meu primeiro longa-metragem como diretora de adaptação para o cinema, existe um orgulho enorme em representar Dourados em um festival dessa dimensão. Essa história nasceu aqui, foi construída por artistas e profissionais que acreditaram no potencial do audiovisual da nossa região. Ver esse trabalho chegar a uma mostra sul-americana tão importante é a confirmação de que temos talento, criatividade e histórias que merecem ser vistas”, afirma.
Responsável pela direção de edição e montagem do longa, Kojiro destaca o trabalho realizado para transformar a série em uma experiência cinematográfica. “Essa seleção é a coroação de um trabalho de edição muito cuidadoso. Desde janeiro estivemos dedicados a compreender como transformar uma série em uma experiência cinematográfica única, preservando toda a identidade visual construída na produção original. Ver esse esforço reconhecido por um festival da importância do Bonito Cinesur nos dá a certeza de que o caminho escolhido foi o correto.”
Diretor da série original, Thiago Rotta ressalta que a presença do filme no festival representa também o reconhecimento da produção audiovisual realizada fora dos grandes centros. “Estamos muito felizes com a seleção e com a oportunidade de levar uma obra que nasceu em Dourados para um festival de alcance internacional. Temos as melhores expectativas para essa mostra. É uma oportunidade de apresentar o potencial criativo da nossa região e mostrar que histórias produzidas no interior também têm força para dialogar com públicos de diferentes lugares.”

Cinema feito no interior em destaque
O Bonito Cinesur chega à sua quarta edição consolidado como uma das principais vitrines do cinema sul-americano no Brasil. Neste ano, a Mostra Competitiva do Filme Sul-Mato-Grossense contará com oito produções, reforçando o crescimento e a valorização do audiovisual regional.
A presença de Natasha na seleção reforça a importância da produção cultural desenvolvida em Dourados e na região sul do Estado, evidenciando o talento de seus realizadores e a capacidade do interior de Mato Grosso do Sul de produzir obras com qualidade artística e relevância social.
Sinopse
Após o assassinato de Natasha, suas amigas Nicole, Inês e Leona transformam o luto em movimento. Decidem atravessar Mato Grosso do Sul até o Mato Grosso para realizar o sonho que ela não pôde viver: participar do concurso de drag queens Raio de Sol do Pantanal.
Com poucos recursos e uma Kombi emprestada, o que começa como homenagem se transforma em uma travessia profunda. No caminho, enfrentam preconceito, invisibilidade e desafios constantes, enquanto são levadas a confrontar suas próprias histórias, medos e identidades.











