Início Em destaque Equipes brasileiras, junto a outras 50, mantêm buscas na Venezuela; ministro chega...

Equipes brasileiras, junto a outras 50, mantêm buscas na Venezuela; ministro chega a Caracas

(MDIR/divulgação)

Missão coordenada pela Defesa Civil Nacional já atuou em três frentes de trabalho, participou do resgate de vítimas e segue mobilizada na tentativa de localizar sobreviventes sob os escombros causados por terremotos. José Múcio, da Defesa, vai à capital venezuelana para intensificar ajuda

Agência Gov | Via MDIR

Como parte do esforço de mais de 50 equipes internacionais sob a coordenação do INSARAG (Grupo Assessor Internacional de Busca e Salvamento da ONU), a equipe brasileira — designada como BRA-10 — tem desempenhado um papel decisivo nas operações de Busca e Salvamento Urbano na Venezuela. A equipe atuou por 72 horas ininterruptas em três frentes de trabalho distintas, trabalhando em total sinergia com os demais países diante de um cenário de extrema complexidade, riscos de instabilidade e réplicas constantes.

No panorama geral da operação internacional, que já soma 22 vítimas resgatadas (10 com vida e 12 em óbito), a BRA-10 foi a responsável direta por localizar e recuperar três vítimas em óbito sob os escombros. Além disso, os técnicos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e bombeiros militares brasileiros já apoiaram o salvamento de outras três pessoas com vida em missões conjuntas. As equipes permanecem em buscas incessantes por possíveis sobreviventes. 

Corrida contra o tempo por sobrevivente

Nesta segunda-feira (29), o foco principal da equipe foi o resgate de uma garota presa sob as estruturas colapsadas. O pedido de socorro chegou após a vítima conseguir contato com a mãe pelo celular. De acordo com o coordenador da missão humanitária e diretor do Departamento de Preparação e Socorro (DPS) da Sedec, Armin Braun, os chamados são constantes. 

“Como as pessoas sabem que estamos instalados em uma base aqui, os pedidos de socorro surgem a todo momento. Nesta segunda, recebemos a informação de que uma garota está presa nos escombros e, mesmo assim, está em contato com a mãe pelo celular. Nossa equipe está trabalhando sem parar para tentar retirar essa vítima com vida”, detalhou o diretor.

Leia também:
• Governo brasileiro envia equipes e uma tonelada de remédios e insumos para a Venezuela
• Busca e resgate marcaram o primeiro dia da missão humanitária brasileira na Venezuela

Ministro em Caracas

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, cuja chegada a Caracas está prevista para esta terça-feira (30/6), fará reunião com autoridades do governo venezuelano. A determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de que o Governo do Brasil reforce o apoio, oferecendo ainda mais assistência aos esforços humanitários em resposta à situação de emergência no país, vitimado por terremotos que provocaram destruição extensa na última semana.

Na manhã desta terça, José Múcio se reúne com Gustavo González López, chefe da pasta da Defesa da Venezuela. Na missão, acompanham o ministro Inês da Silva Magalhães, vice-presidenta de Habitação da Caixa Econômica Federal; e Augusto Henrique Alves Rabelo, Secretário Nacional de Habitação do Ministério das Cidades.

Trabalho intenso

O histórico dos últimos dias reflete a intensidade dos trabalhos. No sábado (27), os militares brasileiros participaram do salvamento de duas pessoas em apoio a equipes internacionais. “No primeiro dia da nossa missão, também fomos chamados para ajudar no resgate de uma pessoa presa no nono andar de um prédio. É claro que nem sempre os desfechos são como gostaríamos. Infelizmente, em outra ação, depois de horas de resgate, a vítima acabou não resistindo”, lamentou Braun, ressaltando a urgência das operações. “Agora, é uma corrida contra o tempo. Cada minuto faz diferença na tentativa de encontrar pessoas com vida”, acrescentou.

Estrutura de resposta humanitária

A Sedec integra o grupo de trabalho liderado pela Casa Civil da Presidência da República e atua como órgão estruturante da resposta humanitária brasileira. A secretaria exerce a coordenação estratégica, administrativa e logística da missão, em articulação com:

• Itamaraty e Agência Brasileira de Cooperação (ABC);
• Ministério da Defesa e Força Aérea Brasileira (FAB);
• Marinha do Brasil e Ministério da Saúde;
• Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel);
• Corpos de Bombeiros Militares estaduais, no âmbito da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Quinto voo humanitário

Além disso, o Brasil enviará um quinto voo humanitário, também nesta terça (30). A aeronave decolará da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro (RJ), com equipamentos para expandir o Hospital de Campanha já em operação em La Guaira, na Venezuela. A expansão permitirá que o hospital conte com capacidade para internação de 20 pacientes simultâneos, módulo infantil e outro para pandemias. Embarcam amanhã 45 militares da Marinha do Brasil, que atuarão no hospital, que contará com área de 900 m2.

Antes de seguir para Caracas, o voo humanitário passará pela Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos (SP), onde embarcarão cerca de 5,5 toneladas de insumos doados pelo Ministério da Saúde e que não comprometem o estoque do Sistema Único de Saúde (SUS). São medicamentos e testes rápidos solicitados pelo governo venezuelano.

Mais dois técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também se somam à operação humanitária,  com analisadores de espectro e de antenas direcionais de alta sensibilidade, utilizados para localizar sinais de celulares sob os escombros, auxiliando as equipes no salvamento de vítimas presas em estruturas colapsadas.

Equipamentos enviados

O governo brasileiro tem mobilizado aeronaves da Força Aérea Brasileira para levar ajuda humanitária ao país vizinho. O primeiro voo partiu na sexta-feira, 26 de junho, transportando a primeira equipe de busca e resgate, composta por 44 profissionais, incluindo bombeiros e especialistas .

No sábado, 27 de junho, dois voos transportaram o hospital de campanha da Marinha, equipe médica , kits médicos e purificadores de água . O quarto voo humanitário pousou em Caracas neste domingo, 28 de junho, às 23 horas, horário de Brasília, transportando mais 35 bombeiros, dos estados de São Paulo e Minas Gerais, para reforçar as equipes que já atuam em La Guaira, na Venezuela .

Com o quinto voo humanitário, de amanhã, com a determinação do presidente Lula para apoio à situação de emergência na Venezuela, o país mobilizará:

• 4 especialistas da Defesa Civil, incluindo a coordenação da operação;
• 71 bombeiros militares;
• 6 técnicos da Anatel;
• 100 purificadores de água (capacidade de 5.000 litros/dia cada);
• 6,5 toneladas de medicamentos e insumos de saúde;
• 1 Hospital de campanha com capacidade de atendimento emergencial, cirurgias, 20 leitos, módulo infantil e preparo para pandemias;
• 93 militares da Marinha para operação do hospital de campanha.

 Terremoto de grande magnitude

Na noite do dia 24 de junho, a Venezuela foi atingida por dois terremotos de grande magnitude, estimados em 7,2 e 7,5, com epicentros na região de Morón, no estado de Carabobo, a aproximadamente 160 km de Caracas. Os eventos provocaram danos severos em áreas urbanas da região central e litorânea do país, com maior impacto nos estados de La Guaira, Carabobo, Aragua e na Região Metropolitana de Caracas.

De acordo com o balanço oficial, centralizado pelo governo venezuelano e atualizado nesta segunda-feira (29), o número de mortes confirmadas saltou para 1.719, com mais de 5.034 feridos. O número de desaparecidos ainda é incerto. Agências internacionais e a ONU estimam que entre 46 mil e 50 mil pessoas.

Com informações do MDIR e do MDef