Oriente Médio influencia mercado da soja
Agrolink – Seane Lennon
O mercado internacional da soja deve concentrar as atenções nas condições climáticas do Meio-Oeste dos Estados Unidos na virada do mês. Segundo a análise “Direto do Campo”, da Grainsights, produzida pela Grão Direto nesta segunda-feira (27), agosto marca a fase de enchimento de vagens das lavouras norte-americanas, considerada decisiva para a definição da produtividade. De acordo com o relatório, “qualquer mapa apontando seca prolongada acionará compras especulativas intensas e injetará pesados prêmios de risco na Bolsa de Chicago”.
No Brasil, a preocupação se volta para o Rio Grande do Sul. A análise destaca o alerta da MetSul para dois novos episódios de chuva intensa no estado, com acumulados que podem chegar a 250 milímetros, além de risco de novas cheias e temporais. Conforme o relatório, o cenário está associado ao Super El Niño e pode comprometer a logística. “O balanço de sexta já apontava danos em mais de 40% dos municípios gaúchos. O impacto logístico e sobre a infraestrutura de escoamento merece atenção”, afirma a Grainsights.
Além do clima, os operadores devem acompanhar de perto o relatório semanal de Progresso de Safra (Crop Progress), divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Segundo a análise, o mercado buscará identificar se as temperaturas elevadas registradas no fim de julho afetaram a qualidade das lavouras. “Se o índice recuar expressivamente, a soja poderá romper com facilidade novas resistências na CBOT”, aponta o documento.
O cenário geopolítico também continua influenciando as cotações da soja. A Grainsights avalia que os preços encontraram sustentação após a redução das tensões entre Estados Unidos e Irã, com a interrupção dos ataques e a retomada das negociações diplomáticas. “A redução do risco de interrupções no fornecimento de petróleo, aliada às negociações envolvendo o Estreito de Ormuz e à possibilidade de um acordo de paz, diminuiu a aversão ao risco nos mercados”, destaca a análise, acrescentando que a evolução das conversas no Oriente Médio seguirá como um dos fatores relevantes para o mercado de energia e, consequentemente, para o complexo soja.
Os custos do transporte marítimo permanecem no radar dos agentes do setor. Segundo a Grainsights, o aumento dos fretes e dos seguros navais, provocado pelos conflitos internacionais, encarece a entrega da soja aos mercados asiáticos. Para manter a competitividade do produto brasileiro, as tradings acabam reduzindo os prêmios pagos nos portos. “Para manter a soja nacional atraente para o comprador final, as tradings muitas vezes achatam o prêmio pago ao produtor nos portos, espremendo as margens FOB”, informa o relatório.
A análise também chama atenção para a concorrência da Argentina no mercado internacional. O setor acompanha a possibilidade de o governo argentino manter as isenções de impostos sobre as exportações, medida que pode ampliar a competitividade da soja do país vizinho. “Caso a medida continue, a soja argentina mais barata seguirá atraindo o apetite chinês, o que pode esvaziar parte da demanda que seria destinada aos portos brasileiros e pressionar nossos prêmios”, conclui a Grainsights.










