Dourados enfrenta epidemia com oito mortes confirmadas. País soma mais de 24 mil casos prováveis em 2026. Vigilância reforça combate ao mosquito e pede atenção a terrenos baldios e água de piscina
Ricardo Ojeda, do Perfil News
O município de Três Lagoas registrou 9 casos confirmados de chikungunya em 2026. O número ainda é considerado baixo, porém as autoridades municipais ligaram o alerta diante do avanço rápido da doença no Brasil.
O país já soma mais de 24 mil casos prováveis neste ano. Mato Grosso do Sul se destaca no cenário nacional. O boletim estadual de 1º de maio aponta 5.214 casos confirmados, 14 óbitos e 8.894 casos prováveis. Dourados vive focos epidêmicos com milhares de casos confirmados e já contabiliza mortes pela doença.
Sintomas
A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Os principais sintomas são febre alta de início súbito acima de 39°C, dor articular intensa que pode ser incapacitante, manchas vermelhas na pele e fadiga.
A dor nas juntas é a principal característica. Afeta punhos, tornozelos, dedos, joelhos e cotovelos. Em alguns pacientes, a doença evolui para formas crônicas. As dores articulares persistem por meses ou até anos e impactam diretamente a qualidade de vida. Tarefas simples como girar uma chave ou segurar uma caneta ficam comprometidas.
“Meu sobrinho pegou a tal da chikungunya e ele não consegue nem levantar da cama direito. Para ligar o carro ele não consegue. Ele gira a mão e não consegue de tanta dor. É uma dor terrível. Isso paralisa o corpo completamente”, relata um morador da região.
É muita dor
O nome chikungunya vem do idioma makonde e significa “aqueles que se dobram”, referência à postura que os doentes adotam por causa da dor.
O comportamento da população preocupa. Três Lagoas tem vários terrenos baldios com lixo acumulado. A água que escorre da limpeza de piscinas fica parada na rua e vira foco do mosquito. “Pessoas jogam lixo em terrenos. A água de piscina fica acumulada. Várias situações provam que o comportamento das pessoas colabora para o surgimento daquelas larvas que viram mosquito”, aponta o morador.
Ciclo de reprodução
O aedes aegypti se reproduz em água parada limpa. Uma tampa de garrafa ou calha entupida são suficientes. O ciclo do ovo até o mosquito adulto leva de sete a dez dias.
Campo Grande já entrou em alerta devido ao avanço no interior e intensificou bloqueios nos bairros com maior infestação. Em Três Lagoas, a Secretaria de Saúde foi procurada para informar o número atualizado de casos e os procedimentos adotados, mas ainda não houve resposta.
Diante do quadro, a orientação é reforçar as medidas de controle do vetor. Eliminar recipientes que acumulam água parada é prioridade. O uso de repelentes é indicado, principalmente entre 9h e 16h, período de maior atividade do mosquito. A conscientização da população é fundamental.
“O correto seria uma campanha de conscientização. E obviamente o povo também colaborar, descartando sujeira, cuidando do quintal, do terreiro, da casa, cobra o morador.
Monitoramento
Quem apresentar sintomas deve procurar atendimento de saúde imediatamente para diagnóstico e manejo adequados. Não existe antiviral contra chikungunya. O tratamento alivia os sintomas com hidratação, repouso e analgésicos sob orientação médica.
A vigilância epidemiológica de Três Lagoas segue monitorando a situação de forma contínua. O objetivo é detectar novos casos cedo e adotar medidas de controle para evitar que a doença se espalhe na região.















