
Nome dos mais importantes no jornalismo brasileiro, Juca Kfouri redigiu mais uma coluna histórica no Portal UOL, na terça-feira. Em exatos 443 caracteres (com espaços), ele oferece ao leitor um texto que transborda a competência que lhe é peculiar. É para ler e pensar:
“Enfim, o L’Equipe, mais importante jornal esportivo do mundo, octogenário diário francês, fez a primeira página que os Estados Unidos merecem como nefasta sede da 23ª Copa do Mundo de futebol.
Gianni Infantino, o inescrupuloso presidente da Fifa aparece como marionete do fascistóide presidente americano Donald Trump, o árbitro somali deportado mostra cartão amarelo e um soldado mascarado toma conta da cena.
Isso que a Copa ainda nem começou”.
Problemas
A realização da Copa do Mundo nos Estados Unidos vem gerando problemas geopolíticos e logísticos severos. As restrições severas de imigração do governo Trump, o conflito com o Irã, a adoção de preços abusivos sem regulamentação e o clima extremo dominam as polêmicas do torneio, cujos princípios sagrados estão sendo deixados de lado.
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Marionete
Nunca antes da história das Copas do Mundo houve tanta ingerência de um país sede (no caso, os Estados Unidos) para a realização do evento. E o pior é que o poderoso presidente da Fifa, o ítalo-suíço Gianni Infantino, vem se portando como verdadeira marionete.
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Barrados no baile
As políticas da Casa Branca estão afetando o espetáculo diretamente. Árbitros, membros da comissão técnica e delegações de nações como Irã, Haiti, Senegal, Costa do Marfim, Argélia, Cabo Verde e Tunísia sofreram com a negação de vistos ou imposição de revistas exaustivas.
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Revistas
Já as delegações de Senegal e do Uzbquistão foram submetidas a revistas rigorosas para entrar nos EUA. Os senegaleses, por exemplo, passaram por revistas individuais depois de desembarcar do avião, ainda na pista do aeroporto.
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Cães x drogas
Na sua vez, a delegação uzbeque chegou a ser inspecionada com cachorros treinados para detectar drogas. A polícia norte-americana revistou o grupo antes da realização de um amistoso no país e alguns integrantes do grupo tiveram que tirar até os sapatos.
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Irã
Por causa de restrições e ameaças à segurança, a seleção do Irã foi forçada a se retirar de sua base de treinamento no estado do Arizona (EUA) e mudou seus preparativos para o México. Ou seja, a seleção iraniana se hospeda no México e vai fazer os três jogos da primeira fase em terras do Tio Sam. A delegação não pode nem pernoitar nos Estados Unidos.
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Árbitro
Outro caso sem noção envolve o árbitro de futebol Omar Artan, eleito o melhor do continente africano e selecionado para apitar jogos da Copa do Mundo. O juiz é natural da Somália e foi impedido de entrar nos EUA pelo pessoal da imigração.
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Árbitro, ainda
Omar Artan já está em seu país e, no retorno, foi recebido no aeroporto praticamente como herói nacional. E a Fifa apenas disse, num comunicado lacônico, que “não se envolve nos processos de imigração dos países sedes, incluindo concessões de vistos”.
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Sem neutralidade
A postura da Fifa diante de tantos problemas criados pelos Estados Unidos vem sendo bastante criticada, pois a entidade se afasta de sua habitual neutralidade política e se alinha fortemente aos interesses do governo republicano dos EUA.
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Ingressos
A venda de ingressos sofreu com a ausência de regulação, permitindo que a própria Fifa e cambistas elevassem o custo a patamares recordes. Devido à política de preços flutuantes baseada em demanda, entradas para a final chegaram a ser anunciadas por valores próximos a R$ 1 milhão.
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Hotéis
O setor hoteleiro norte-americano já está contando o prejuízo, sem esperanças numa eventual mudança de cenário no transcorrer do campeonato mundial. Para se ter uma ideia, as 11 cidades-sede dos EUA estão registrando taxas de ocupação em queda.
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Outros hotéis
Juntos, México e Canadá contam cinco cidades-sede. Em todas foram registrados aumento da ocupação hoteleira. Canadenses e mexicanos são mais simpáticos mesmo.
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Monitoramento
Vale lembrar que o governo norte-americano exigiu que turistas abrissem o histórico de redes sociais, gerando intensas críticas sobre violação de privacidade.
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Jogos, enfim
Com a Fifa sendo criticada até por Joseph Blatter, que presidiu a entidade de 1998 até 2015, a competição está começando. Tomara que os espíritos do bom futebol consigam imperar durante as próximas semanas e que a magia do maior esporte do planeta fale mais alto que as loucuras do presidente Donald Trump. Vamos aguardar e ver o que vem por aí!
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