Início De Olho Noite de sábado com chuva, estreia da seleção e PM nos bares

Noite de sábado com chuva, estreia da seleção e PM nos bares

Pela grosseria da moçada, a chuvosa noite de sábado em Dourados mexeu com a animosidade de grupo de servidores públicos da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Detran e Agetran que fizeram uma peregrinação por bares da cidade. Enquanto a seleção brasileira fazia sua estreia na Copa do Mundo, o pessoal aqui mencionado estava em busca de alvarás e outros documentos mais de bares que estavam ocupados por torcedores douradenses. É certo que a partida foi horrível, mas pelo que a coluna ficou sabendo, tal fiscalização poderia ter sido feita em qualquer outro horário e não haveria qualquer alteração nos resultados.

8 veículos

A ação fiscalizatória da noite chuvosa de sábado foi grande e reuniu oito viaturas: 2 da PM, 2 do Bombeiros, 2 da Agetran e 2 do Detran. Tudo muito bonito, com giroflex ligado e marcando presença dentro e fora dos bares visitados. Pensa numa coisa chamativa!

No bar

Na chegada ao estabelecimento comercial a ser fiscalizado durante o jogo da seleção brasileira de futebol, o comboio já marcava presença. As viaturas relacionadas ao trânsito ficavam no meio da rua.

Fiscalização

Já o cortejo entrando no local começava com duas bombeiras, seguidas dos policiais militares, incluindo câmera ligada e um trabuco. O mandante do grupo era um dos PMs. Era ele quem dizia o que as bombeiras deveriam fazer.

Fiscalização, ainda

A bombeira ia para um lado, o PM mandava a moça ir por outro. Ficou bem claro que não havia empatia entre os dois. E assim a ação foi andando.

Mais fiscalização

A eficiência do PM na fiscalização era tão grande que o moço até tentou fazer o serviço que cabe à Polícia Civil que, aliás, não fazia parte da ação de sábado à noite.

Fiscalização, PM

Cada organismo tem as suas atribuições em casos desse tipo. À PM, por exemplo, cabe oferecer segurança aos servidores públicos que realmente estão no local para realizar seu trabalho fiscalizador. A polícia deve agir preventivamente quando os ânimos ficam exaltados.

Fiscalização da PM

Não cabe à Polícia Militar fiscalizar alvarás, por exemplo, como ocorreu na noite de sábado em Dourados. Isso cabe à Polícia Civil.

Imagem negativa

Não se sabe qual foi o resultado efetivo da ação fiscalizatória do sábado à noite. É sabido, porém, que a seleção só empatou na estreia. E o mais triste disso tudo: o comboio saiu dos locais fiscalizados contribuindo para ampliar a imagem negativa que a Polícia Militar desfruta junto à sociedade. Oh coisa descabida!

Omissão

O vereador Sargento Prates (PL) espalhou um vídeo em redes sociais registrando sua indignação diante do caso da mulher que morreu após ser lançada sem corda em rope jump. O caso aconteceu na manhã de sábado (13) na Ponte do Esqueleto, estrutura abandonada entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo.

Omissão, na tribuna

Com forte trilha sonora, o vídeo apresenta falas do vereador na tribuna, durante sessão ordinária da Câmara de Dourados. Ele diz que a morte “é culpa do governo do PT” e que aquela morte “tem as mãos suja (sic) dos nove dedos”.

Omissão, ainda

Bolsonarista raiz, todo mundo sabe que Prates está se referindo ao presidente Lula quando fala em “nove dedos”. Mais adiante, já fora da tribuna, o vereador reforça sua indignação e diz que se trata de uma vida e que “uma vida não tem como voltar atrás”.

Omissão, 3 mortes

No restante do vídeo, o vereador diz que a ponte (que pertence à União) está desativada há mais de 30 anos, na qual ocorre circulação livre de pessoas e onde três pessoas morreram. Bastante louvável a indignação do vereador douradense.

Omissão, IA

Após assistir ao vídeo duas vezes, De Olho teve uma ideia. Em período ruim para o Brasil, vivendo dividido por causa de política partidária e de ideologia sem fim, a coluna recorreu à Inteligência Artificial, que está na moda.

Outra omissão

Só para tirar dúvida mesmo e por pura curiosidade, De Olho fez a seguinte pergunta à IA: ´Morreu gente no Brasil por omissão do presidente Bolsonaro?´.

Mais outra omissão

Num piscar de olhos, a IA respondeu: “Sim. Especialistas, a comunidade científica e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) apontam que a postura do ex-presidente Jair Bolsonaro contribuiu para o expressivo número de óbitos no país. A gestão foi amplamente criticada por adotar o negacionismo, atrasar a compra de vacinas e promover medicamentos sem eficácia”.

Omissão, 700 mil mortes

A IA ainda acrescentou: “Estudos e dossiês de entidades como a Abrasco estimam que uma parcela significativa das mais de 700 mil vidas perdidas durante a pandemia no Brasil poderia ter sido evitada caso houvesse uma resposta federal alinhada aos protocolos científicos internacionais”.

Divisão, tristeza

Sem querer provocar polêmica, De Olho pensa que o povo brasileiro precisa por fim nessa desgastante divisão nacional que vem rompendo laços entre amigos e famílias. Não vale a pena.

Omissão comparada

A indignação do vereador douradense é louvável, mas quando ele torna o assunto um caso de divisão ideológica e política, entra num caminho que precisa ser melhor pensado. Basta entender a comparação feita por esta coluna.